Lógica Narrativa: Motifs

Você já notou, seja em filmes, livros ou até mesmo músicas, que existem certas cenas que se repetem? Em todo livro há isso: Um tipo de cena que se repete pelo livro, às vezes de forma que não faz sentido para a narrativa. Parece até mesmo que o autor ficou com preguiça de escrever coisas novas e resolveu reaproveitar cenas antigas, certo?

Errado. Existe um motivo pelo qual o autor repetiu a cena/descrição/imagem, e esse motivo é bem simples: Ele estava criando um motif. Mas o que é um motif? Simples.

Motifs são cenas ou imagens narrativas que se repetem pela narrativa do autor (Seja no livro, seja em sua carreira literária) para criar temas. Explicarei temas em detalhe na minha próxima coluna, mas saiba por enquanto que temas são basicamente mensagens de moralidade que o autor esconde em seu texto (Ou, se for ruim, fica fazendo suas personagens falarem de novo e de novo de forma nada sutil, achando que é inteligente — olhando para ti, J. K. Rowling) e temas não podem ser simplesmente ditos ao leitor. Isso estraga toda a mensagem do texto e não compõe um tema. Imagine um tema como sendo a fundação de um prédio. Ele fica abaixo do solo e nunca é visto por quem não presta atenção, mas ele sempre deve estar lá, senão o prédio todo desmorona e arquitetos vão presos por ferrarem com o Centro do Rio de Janeiro.

Mas como podemos compor um tema? Simples: Motifs. Como repetido novamente e outra vez mais uma vez, motifs são imagens e cenas que se repetem. Por exemplo, na obra Hamlet de Shakespeare, caveiras e fantasmas são utilizados para dar um tema de agouro à peça, para dar-se uma tristeza e agonia em crescendo. Não é à toa que todos morrem em Shakespeare; é para o bem do tema.

Portanto, motifs podem ser o que você quiser usar para dar um sentido ao tema. O bom de motifs são que eles obedecem à regra de POP (Problema de Outra Pessoa), portanto a maioria dos leitores, ao lerem um motif sendo apresentado que não pertence à cena e é mencionado apenas de passagem, irão simplesmente ignorá-lo conscientemente, mas o humor ainda é posto de forma que se constrói o tema em suas mentes. E quando o texto chegar ao clímax e o tema estiver totalmente construído, só os que estudam literatura/arte irão se lembrar dos motifs, mas todos irão se lembrar dos temas que você construiu.

Lembrem-se, jovens escritores: O que o leitor não vê e não percebe é tão importante quanto o que ele lembra.

Próximo tema: Temas!



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