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Battle Network RockMan EXE foi lançado originalmente em 21 de março de 2001 pela Capcom para o GameBoy Advance. Em 30 de outubro do mesmo ano o jogo foi localizado no ocidente, recebendo o nome que a série desde então usou pra cá: MegaMan Battle Network (e nela só escreveu MegaMan junto). Em 2003, a série passou a se chamar apenas RockMan EXE no Japão.
Diferente dos outros títulos de Mega Man, Battle Network não é um platformer de qualquer tipo, mas sim um RPG de jogabilidade única. Ela se passa num universo paralelo ao de Mega Man clássico, onde ao invés de robótica, os pesquisadores investiram na Internet, integrando praticamente todo componente eletrônico na rede.
Eventualmente, a Internet ficou tão complicada que basicamente se tornou uma dimensão própria. Para auxiliar as pessoas foram criados NetNavis, seres digitais que ajudam seu Operador a explorar a rede, processar dados e controlar os componentes eletrônicos.
Nos jogos você controla dois personagens: Lan Hikari e seu NetNavi, o titular MegaMan EXE. Juntos, eles lutam contra vírus e combatem o cybercrime na Internet no ano de 200X.
Diferente de outras edições do Full Faux, esta aborda a série toda ao invés de um título individual. Isso se deve porque, similar aos demais jogos da franquia Mega Man, Battle Network basicamente usa da mesma engine, apenas recebendo melhoras ao avançar dos jogos.
Além dos seis jogos principais, a série também recebeu alguns spin-offs com gameplay diferente do normal – o que nunca foi novidade para Mega Man – como MegaMan Network Transmission, que é um platformer lançado para GameCube.
Após o segundo jogo, Capcom percebeu que a série vendia muito bem, então resolveu fazer como Pokémon e lançou duas versões para todo título. Os jogos eram basicamente os mesmos, mas com algumas pequenas divergências na história e personagens que você encontrava.
O quinto jogo recebeu um enhanced port para DS com várias melhorias nas mecânicas e músicas remasterizadas. Battle Network 1 recebeu uma versão para DS que fazia um crossover com Mega Man Star Force, mas este nunca veio para o ocidente. Também foram lançados vários títulos exclusivos para o Japão com histórias que se passavam entre os jogos principais, em geral estes foram para celular.

O jogo usa de perspectiva isométrica, o que por si só o torna diferente da maioria dos RPGs em 2D, principalmente no GameBoy Advance. A aparência do mundo físico é bem básica, enquanto o digital consiste de plataformas com um background animado, ambas representativas do lugar onde MegaMan se encontra.
Os gráficos de batalha são mais detalhados e as animações são bem feitas e rápidas, dada a natureza dinâmica do sistema. Após o quarto título da série, o overworld recebeu nova aparência, o que permitiu coisas como representações mais verdadeiras da altura dos personagens.
A arte do jogo é uma exemplo típico do estilo dos desenhos perto do final da década de 90 e começo dos anos 2000. Personagens das outras séries de Mega Man aqui são representados como NetNavis (em suma os Robot Masters da série clássica), com sua aparência variando de apenas algumas adaptações para uma reimaginação completa.
Mega Man sempre foi uma série bastante conhecida por suas músicas, e Battle Network não é exceção. Enquanto as música do mundo real tendem a ser bastante genéricas, as dungeons dos NetNavis são temas de Mega Man como qualquer um esperaria, bem como os temas de batalha. Ao navegar na internet, a música é mais atmosférica e calma, para transmitir a imensidão do lugar.
Seguem algumas amostras de música:
Cada jogo tem algumas diferenças em seu gameplay que o torna relativamente único, então serão abordados apenas os elementos que permaneceram constantes na série.
Dividiremos as explicações em exploração e batalha.
A exploração é dividida em duas partes: Lan anda pelo mundo real, enquanto MegaMan explora o digital. No mundo físico, Lan encontra pontos de acesso onde pode conectar sua PET (um aparelho onde o NetNavi fica contido) e então passar MegaMan para o interior dos objetos – processo conhecido como Jack-in.
Se o objeto acessado estiver conectado à rede, MegaMan pode acessar a Internet à partir dele. Normalmente você precisa de permissão dos donos dos objetos para sair e entrar de lá para a Internet. Grande parte do jogo se passa navegando na Internet, pois ela conecta praticamente todo lugar importante.
Objetos que não são conectados à rede normalmente são dungeons ou apenas áreas que contém algum item. As dungeons tendem a seguir o padrão de Mega Man e são fases tematizadas de acordo com o NetNavi que você enfrentará no final. Depois do segundo jogo foram introduzidos SubChips, que nada mais são que itens usados no campo com efeito variados para MegaMan. Coisas como curar HP ou diminuir a frequência das batalhas.
O mundo físico e digital são mais conectados do que o senso comum indicaria: por exemplo, se um objeto pega fogo o mesmo ocorre no interior dele, na forma de cyberfogo. Consertar problemas no mundo real ou digital afetam um ao outro, e é em geral o que move a história. Fãs carinhosamente se referem às coisas mais ridículas como “Capcom Science”.
Essa é a parte mais interessante do jogo e exclusiva para os NetNavis. Battle Network possui batalhas aleatórias, mas estas são completamente únicas. Elas são ativas, realizadas em dois terrenos de 3×3. Seu personagem – normalmente MegaMan – fica de um lado e os inimigos do outro.
Com o direcional, você muda de painel com MegaMan. É necessário se posicionar para poder acertar os inimigos e esquivar seus ataques. Para atacar, MegaMan dispõe do buster que é infinito e chips, que são limitados por batalha. Chips são a principal parte da jogabilidade, saber usá-los e quais ter na sua pasta é essencial.
Com o Buster, você dá tiros fracos e pode dar charge, como é padrão em Mega Man. Você acha upgrades que melhoram ele em aspectos como velocidade do charge, força e velocidade dos tiros.
Como tradição de Mega Man, você usa os ataques de seus inimigos, neste jogo na forma de chips. Alguns são comprados ou encontrados por aí, mas normalmente eles são obtidos após batalhas. Quais chips você obtém depende dos inimigos e quão bem você foi na luta, representado pelo seu Busting Level.
Chips possuem letras que determinam seu código. Quando a barra de Custom encher e você apertar L ou R, Lan envia uma seleção aleatória de chips para MegaMan, então você pode escolher cinco, mas seguindo as limitações: os chips precisam ser do mesmo código (como Cannon-C e Sword-C) ou do mesmo tipo (Cannon-A, Cannon-B, etc). Chips com código * são coringas, podendo ser usados em qualquer combinação.
Além de apenas atacar com chips normais, há os chips de summon – ataques que param a tela e são obtidos normalmente ao derrotar chefões; e ProgramAdvance – algumas combinações certas de chip que formam um ataque mais poderoso.
Também é possível fazer combos sem ser por PA, como o combo de RockCube e qualquer chip do tipo Punch.
Certos ataques também afetam o terreno. Paineis quebrados não podem ser atravessados, paineis com fogo causam dano gradual à quem ficar em cima, paineis de gelo atrapalham seu movimento e por aí vai. Além disso, chips e seu próprio personagem podem possuir elementos, que adicionam efeitos e dano adicional, seguindo a ordem: fire>wood>elec>water>fire.
Com um sistema de batalha incrível e até mesmo multiplayer, a série tinha um potencial para durar talvez até tanto quanto Pokémon. Capcom provavelmente percebeu o potencial quando resolveu lançar duas versões, mas não ajustou sua estratégia de negócio em relação a isso: ao invés de polir os jogos e dar um tempo para as pessoas os aproveitarem, rapidamente lançou vários num período de poucos anos.
O quarto título acabou sendo um dos responsáveis pela decadência das vendas da série, contendo inúmeros bugs e uma tradução mal-feita. Isso resultou em reclamações e uma queda drástica nas vendas do quinto jogo – que foi muito mais polido do que o anterior, após Capcom ver o que um lançamento adiantado resultou. Só que o estrago já estava feito, e o jogo mais trabalhado vendeu muito menos que o corrido.
Apesar de não parecer do modo como foi contada sua história, MegaMan Battle Network fez sim muito sucesso – o bastante para ter uma continuação para DS chamada Mega Man Star Force, que se passa 200 anos após a série original – no ano 220X – estrelando Geo Stellar e Omega-Xis, que juntos formam o Mega Man da vez.
De qualquer forma, MegaMan Battle Network é um clássico do GameBoy Advance e um RPG que qualquer um deveria experimentar se apenas pelo sistema de batalha e as músicas. Infelizmente, encontrá-lo de meios legítimos é um tanto difícil. Capcom não relançou nenhum título para o Nintendo E Shop, então donos de 3DS ou até mesmo DSi estão sem sorte, mesmo que encontrem as fitas.
Essa foi apenas mais uma das muitas séries de Mega Man que a Capcom aposentou. Enquanto no aniversário de 15 anos o espírito dele ainda estava representado na forma de Mega Man Zero e MegaMan Battle Network, o heroi azulado está por enquanto esquecido no aniversário atual de 25.
Como de praxe, uma imagem para finalizar o artigo:
Fica por aqui o sétimo Full Faux. Ficamos no aguardo de comentários. Até a próxima!